A coluna do Pôncio – 16.05.2018


Verão (bem) Quente

Escassos trinta e seis dias nos separam da entrada do Verão. Todos esperamos que seja de temperaturas agradáveis que o Sol e tempo quente sejam uma constante para as férias merecidas – passadas à beira mar, ou à beira-rio, consoante os casos.
Há alguns tempos que andamos a referir que, no plano desportivo, o Verão ia ser bem quente e a verdade é que começou a “esquentar” ainda no final da época primaveril e com a choradeira de quem não teve competência, pese embora os roubos arbitrais “concedidos“ para ser campeão nacional. Vai daí, resolvem atirar lama para cima do justo campeão, FC Porto, afirmando que o campeonato foi «sujo» – uma prática corrente para quem desdenha do que os outros conquistam, mas para quem, desde há um ano, anda nas bocas do mundo (exagero meu porque poucos jornaleiros pegam no assunto à séria), com as acusações de corrupção e de tráfico de influências nos títulos conquistados. De facto, não me parece a melhor estratégia…

Chegou mais cedo o Verão Quente de 2018, com a antecipação de mais dois arguidos no caso E-Toupeira; com a denúncia de corrupção no título de andebol leonino de 2016/2047 e com o “Hara-Kiri” de Bruno de Carvalho que, desde cedo, adoptou a máxima de “sozinho contra o mundo”, inclusive fazendo alarde de, nas últimas três semanas, ter dado início ao desconjuntar da equipa profissional de futebol e que culminou com as cenas tristes, patéticas, violentas e certamente “encomendadas” que ontem se viveram em Alcochete.
Mas, não nos iludemos: mais episódios de Verão Quente estão na forja, com o reaparecer de casos que se julgavam “no limbo“, e com mais revelações bombásticas, que vão abalar, ainda mais, este (já de si) pobre espectáculo desportivo português.
Vai ser a Realidade e, para alguns, como disse o visconde: “É chato”.

O Balançar do barco Rebelo

No decurso do dia de ontem ficámos a saber que existe vida no Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, o qual não se limita a ser uma caixa de ressonância de outros intérpretes desportivos e que, pasme-se, até consegue reagir sem que lhe sejam impostas palavras na sua boca sobre situações de violência no fenómeno desportivo português.
Reagiu o actual Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, mas o discurso continua a ser redondo (não podemos exigir tudo ao mesmo tempo, não é), sem conteúdo e, face à gravidade do episódio em Alcochete, só veio a terreiro «garantir segurança na final da Taça de Portugal» que, espera, tal como todos os seus antecessores, seja a «verdadeira festa do futebol».
Pois, já eu:
– Esperava que tivesse verberado o assassinato de um adepto italiano nas imediações do Estádio da Luz.
– Esperava que tivesse verberado a violência verbal da claque do “seu” clube, nos cânticos e provocações a actos de assassínio.
– Esperava que tivesse verberado os actos de violência, com policias agredidos, nos incidentes do estádio da luz, pós jogo com o Tondela.
– Esperava que tivesse verberado os actos violentos perpetrados por adeptos vitorianos, com agressão bárbara (documentada em imagens que podem identificar os agressores) a um adepto do clube rival.

Sr. Secretário de Estado,
estes são só os últimos exemplos da sua inércia – inércia a que se votou sempre que os actos de violência incidem sobre adeptos que lhe são “queridos”.
Se o seu reaparecimento, Sr. Secretário de Estado do Desporto, foi só para isto e se vai continuar a ser selectivo nas suas intervenções, agradecemos que permaneça no limbo a que se votou, até porque o balanço no seu barco é mesmo caso para provocar enjoos constantes.

Quem tem comichão, coça

As virgens ofendidas, mas corruptas, ficaram indignadas com os cânticos de alguns atletas do FC Porto aquando da celebração do seu título de campeão nacional.
Saíram, de imediato, os falsos moralistas a clamar para que os outros pratiquem o que eles sempre esqueceram na Vida e no Desporto.
Como é que um clube, cujos «Grupos Organizados de Sócios» assassinaram um adepto no Jamor e outro nas cercanias do “Salão de Festas“, vem pregar lições de moral?
Como é que um clube, cujo presidente se refere à morte do adepto italiano, nas imediações do Estádio da Luz, com a frase boçal de «o que estava a fazer no Estádio da Luz às três da manhã? Não seria para tirar fotos ao Cosme Damião ou ao Eusébio…», quer dar liões de moral?!
Como é que um clube, que vê, semana após semana, as “claques“ a quem paga as carrinhas, combustível e portagens, criar o pânico e o caos nas imediações dos estádios e nas Autoestradas portuguesas, quer dar lições de moral?!
Como é que um clube, que assiste a cânticos das suas “claques“ a celebrar o assassinato de adeptos, se acha no direito de reclamar virtudes?!
Como é que um clube, que teve jogadores a insultar o presidente do FC Porto, com uma linguagem ordinária, nas comemorações de um título, em 2005, se atreve a fazer de virgem ofendida?!
Como é que um clube, que assiste de forma impávida e serena aos comentadores no seu próprio canal de televisão, a apelar à violência – pedindo «armas nas ruas» – ou que deseja a morte a um presidente rival, pode fazer o papel de hipócrita?!
Como é que um clube que, não só nunca foi capaz de reconhecer o mérito do FC Porto campeão português, europeu e mundial, mas que ainda refere, com o conluio de uma Imprensa que vive de joelhos (como dizemos na Inbicta “quem ajoelha…”), que são «classificações aldrabadas», «jogos viciados» ou que «o título do FC Porto é um tributo aos árbitros», quer que se olhe para isto com cara séria?
Como é que um clube, que apaga a luz e liga a água no momento em que o FC Porto festejava um título, pode falar em inveja e complexos de inferioridade?!

Como dizia Samuel Beckett: “Os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão”.
Como temos comichão, podem coçar à vontade.

O Rui não Faria o que o Vitória fez.

O Rui só dá os parabéns aos árbitros que não expulsam os seus jogadores.
O Rui só dá os parabéns a quem não marca penaltis contra a sua equipa.
O Rui só dá os parabéns aos que marcam penaltis nos últimos minutos.
O Rui avisa que «tenho seis milhões de pessoas atrás de mim que se reveem muito naquilo que eu digo».
O Rui avisa que perante os erros dos árbitros «não quer ser comido de cebolada».
O Rui avisa que «também sei fazer barulho e eu até tenho voz grossa».
O Rui avisa que «é fundamental que entendam que ser bom não é ser bonzinho, não é ser bombom».
O Rui avisa que «vou estar atento à carreira destes dois árbitros, nomeadamente ao Hugo Miguel e Tiago Martins, para ver, em situações iguais, que decisões vão tomar».
Conhecem a personagem?
É o tal que foi comparado a um boneco, que ora veste o fato de sonso ou o de agressivo. Chama-se Rui Vitória e vê, com desespero, a areia fugir-lhe por entre os dedos porque não ganhou nada na época em curso – Taça da Liga e Taça de Portugal, viu-as voar; na Liga dos Campeões foi a pior prestação de sempre de uma equipa portuguesa, com zero pontos; no Campeonato, deu um segundo lugar mesmo que em “Alfa Mode”.
Este é o Rui que assiste às “encomendas” de convites da Arábia, método já utilizado para sacudir o seu antecessor. É o Rui que olha para as noticias de vários pretendentes – Miguel Cardoso, Marco Silva, Rui Faria – a um cargo que quer cumprir, mas que…

Como dizia Miguel Cervantes: “Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero.”

Meus caros e distintos leitores um abraço e até já.


Um abraço do
Bernardino Barros

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *