A coluna do Pôncio – 04.04.2018

Mar Azul

“Dúvida? Não, mas Luz, Realidade e o Sonho que, na luta, amadurece.
Eis o desejo que traduz a prece.
Porto – palavra exacta, nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!”

Normal que haja lugar à dúvida, principalmente após os dois socos no estômago que nos atingiram em Paços e, na Segunda-feira, em Belém. Mas a crença não esmorece ao primeiro ou ao segundo socos; é preciso muito mais para “virar” um nortenho dos sete costados.
O Mar Azul existiu, existe e existirá enquanto existir a palavra “Fé“ – a mesma Fé que «anda nas nossas almas cheias», como dizia o poeta, e que nos empurra para uma capacidade de saber sofrer, aplaudindo, incentivando e acreditando que o punhado de heróis que, durante quase sete meses, gritaram bem alto “somos os primeiros” e “somos os melhores”, o vão voltar a ser nas últimas seis batalhas que faltam.
Assim eles o queiram.
Assim a “roda” que os move, pese embora os dois grãos na engrenagem, os leve a caminho seguro e desejado por todos nós.
Nós, os adeptos, lá estaremos – faça chuva ou faça sol, com bancadas inseguras, com excesso de zelo nas revistas nos estádios, com mais ou menos bilhetes e mesmo com preços exorbitantes. Lá estaremos a engrossar, cada vez mais, esse Mar Azul que não tem como morrer.

“Ninguém fala em perder! Ninguém recua… E a mocidade invicta em cada abraço a si mais nos estreita. A Pátria é sua. E, de hora a hora, cresce o baluarte!”

Esse baluarte, que tremula em todos os estádios, com “ventos contra“ e mesmo agrestes, mas que a todos foi vencendo e dominando pelo prazer de gritar bem alto o nome do clube – “Poortoooooo“ – que ostenta o nome da cidade Nobre, Leal e Invicta.
Vamos continuar a unir-nos nessa imensa roda, dizendo ao bravo punhado de atletas e de treinadores que o percurso está a chegar ao fim; que o sacrifício vai ser enorme – afinal nunca foi fácil lutar contra as “forças do mal“… – mas que JUNTOS e UNIDOS, somos uma força inquebrantável, que nos vai levar ao sucesso almejado.
Nós, os adeptos indefectíveis e fervorosos, e vós, os atletas e treinadores, que envergam o manto sagrado azul e branco, vamos fazer das fraquezas as nossas forças e derrubar todos os muros e todos os obstáculos que nos colocam na frente.
Já não os derrubámos, antes? Então vamos continuar o nosso caminho, unidos na roda que sempre nos guiou e que nos recorda, a cada momento, que nada nos é dado de mão beijada, antes é conquistado com muito sangue, suor e bastas lágrimas

“E, azul e branca, essa bandeira avança… Azul, branca, indomável, imortal”

Demagogia à medida

O País Real em que vivemos está assente na Mediocridade, na Bajulação, na Mentira, na Corrupção, na troca de favores, no tráfico de influências, na Hipocrisia e noutras coisas mais que queiram acrescentar.
O País Real, ontem, travestiu-se na Casa da Democracia, vestindo um fato de seriedade que não lhe assenta, de todo.
Os representantes dos “prevaricadores”, julgados e condenados por roubo e assassinato; os arguidos por corrupção activa e passiva, por tráfico de influências, por fraude fiscal, por acesso a informação confidencial e por acesso a informação de investigações em curso da Justiça, por conivência com intimidação e agressões a jornalistas, esses arguidos foram gentilmente convidados pelos “Pilatos” institucionais – os que vêem mas que também fecham os olhos aos atropelos à Justiça e aos crimes cometidos – para perorar sobre “violência no Desporto”.
Durante oito horas, o discurso demagogo e barato levou ao supremo gozo do “primeiro-ministro do estado lampiânico”, rindo-se das figuras tristes que via à sua frente, sabendo que, por mais reunião, lei, debate ou “farsa” montada na mais nobre e séria sala da Assembleia da República, a sua impunidade, bem como dos seus seguidores e clube, continuará face ao compadrio podre que continua a fechar os olhos às evidências que, semana após semana, são notadas por alguns, mas denunciadas por muito poucos.
E por falar em denúncias: julguei que os jornalistas “veros” se insurgissem, na Casa da Democracia, para com aqueles que os ameaçam de represálias e de processos judiciais se ousarem usar o nobre e legítimo direito de Informar.
Afinal, também por aí foi uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Goste-se ou não da personagem, louve-se pelo menos a coragem e a frontalidade de, cara-a-cara, Bruno de Carvalho falar no caso dos e-mails e na ineficácia do IPDJ.
Mas quem julgava que daquela “lura” ia sair “coelho gordo”, enganou-se.
Assim como assim, uns “bilhetinhos para a bola” fazem sempre um jeitinho danado – seja para funcionários judiciais, advogados, juízes, dirigentes da arbitragem, dirigentes federativos, responsáveis de instituições governamentais, ministros e primeiro ministro, para além de seus familiares e “adjacentes”.
Não fiquei desiludido, mas sempre julguei que alguns personagens pudessem ser mais eloquente. Inocência minha, pois quando o presidente da nossa federação nem uma palavra dirigiu para a verdadeira violência que tem sofrido e para a inerente coacção psicológica, estamos elucidados com a Demagogia feita à portuguesa…
Perdeu Fernando Gomes uma muito boa ocasião para, com os meios que tinha à sua disposição, denunciar quem lhe roubou o computador e o código de abertura de sua casa e quem lhe invadiu o telemóvel e divulgou mensagens secretas – algo que só os verdadeiros “maquinadores” conhecem e podem divulgar, e quando muito bem entenderem.

“É melhor morrer em pé do que viver de joelhos”.


Um abraço do
Bernardino Barros

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