A coluna do Pôncio – 14.03.2018

O Estado Sou Eu

Olhando para o título, o estimado leitor julga que esta crónica versa sobre alguma loja de animais ou zoo.
Quem olha para esta catadupa de noticias, onde cada dia se cava mais um buraco na teia de corrupção, em que o clube encarnado está enterrado, pergunta-se: “Ainda haverá mais?”
Quando vejo a sucessão de noticias, imagino o filme “O Dia da Marmota” protagonizado por Bill Murray, em que os dias eram sempre iguais e a sucessão de factos se repetia. Bem que se podia fazer uma sequela com a mudança de título “o Dia da Toupeira”.
Esse é o dia-a-dia, o “modus operandi”, de um clube que montou uma teia de poder que não tem exemplo em Portugal.
Só no tempo dos gangsters e da máfia nos Estados Unidos e Itália, ou no tempo da Camorra em Nápoles, se poderá encontrar comparação ao “polvo” benfiquista.
O clube, e muitos dos seus adeptos, não têm culpa do “circo” em que está metido, por culpa de uns tantos figurantes, que julgam estar, se calhar com razão, imunes a todas as acusações que lhes são imputadas, dando-se ao desplante de “gozar” com as leis de um País, que deveria pugnar pelo lema “dura lex sed lex”, num claro exemplo de justiça igual para todos.
Mas não é igual, pois o “Rei Sol” encarnado, desafia tudo e todos, clamando bem alto “O Estado Sou Eu”.

Só assim se compreende, que se ameace com processos judiciais, quem ousar falar ou recorrer aos emails.
Só assim se compreende, a ameaça a cidadãos e jornalistas se ousarem escrever sobre o assunto “corrupção”.
Só assim se compreende, que num estado democrático se tente silenciar a opinião pública.
Só assim se compreende, que ninguém critique o recurso feroz a tácticas fascistas.
Só assim se compreende, que ninguém conteste o feroz ataque á liberdade de imprensa.
Só assim se compreende, que após estas evidências, exista silêncio perante a instalação de um estado dentro de outro estado.

– O Governo (IPDJ incluído), assobia para o lado e faz como os três macaquinhos, não vê, não ouve e não fala.
– A FPF emite uns pareceres generalizados sobre o “barulho” à volta do futebol, mas não pode abrir “feridas” mais profundas, pois está atada de pés e mãos pelo roubo dos computadores da sede federativa e pela “vazamento” das sms do seu presidente.
– A Liga de clubes age de igual modo, com medo do poder de quem manipula a marionete “G15”.
– O poder judicial subjuga-se ao poder encarnado, mudando os processos sob investigação, para um sistema que seja à prova da devassa das “toupeiras” encarnadas.
– A imprensa, controlada e manietada (os emails são elucidativos) pelo estado lampiânico, vai “dourando a pílula” de quem lhes alimenta a agenda, ignorando as evidências e arranjando desculpas esconsas, dignas da uma mente escabrosa e maquiavélica.

Todos acham, pelo comportamento acima descrito, que estamos perante mal menor, apenas umas corrupçõezitas, uns tráficozitos de influências e de drogas, uns branqueamentos de capitaizinhos, umas burlitas, uns subornitos aqui e acolá.
Afinal, como dizia um dos “papagaios”, todos fazem.

A realidade é que “Caso dos Mails”, “Operação Lex”, “Operação E-Toupeira”, “Porta 18”, “Caso dos Vouchers”, para não ir mais atrás e chamar o caso BPN e o roubo do camião, que redundam em acusações de:

  • Corrupção
  • Coacção
  • Tráfico de Influências
  • Fraude Fiscal
  • Jogos “combinados”
  • Manipulação de informação
  • Controlo da comunicação social
  • Quebra do segredo de justiça

juntando os casos em que, directa ou indirectamente, o nome do clube esteve envolvido, por intermédio de adeptos, claques ou dirigentes, temos tipificado o roubo de camiões, tráfico de droga, agressões a árbitros na Luz e no Colombo, ameaças e perseguição de árbitros (Jorge Sousa), numa clara percepção que nada destes comportamentos são desviantes, antes pelo contrário, está-lhes no sangue.

Até quando? Responda quem souber ou puder, eu não me atrevo a isso.

Branco mais Branco não há

A presidente do Sindicato de Jornalistas, Sofia Branco, indignou-se com as frases do presidente do Sporting, mas não se indignou, e já está há quatro anos no cargo, perante as diatribes do “seu” presidente, por sinal, condenado a prisão por roubo de camião e arguido em dois processos.
Vejamos o que olvidou Sofia Branco:

  • Quando o Benfica resolveu implementar uma “aberração jornalística”, criar uma conta de twitter exclusiva para jornalistas avençados, que serve exclusivamente para atacar os clubes rivais, Sporting e FC Porto, escudando-se no anonimato, isso incomodou a presidente Sofia Branco?
  • Não a incomoda, como líder da classe, que as mesmas noticias “bebidas” no twitter anónimo, sejam citadas por “jornalistas” como “fonte oficial”?
  • Não achou uma clara medida atentatória da liberdade de imprensa, quando o Benfica requereu ao Tribunal Judicial do Porto uma notificação judicial avulsa, para informar algumas empresas de Comunicação Social, que devem “abster-se” de “publicar ou divulgar” “qualquer informação confidencial” relativa ao caso denominado dos alegados emails disponibilizados na Internet?

Sofia Branco, não tente dividir a classe em boa e má.
Sofia Branco, não tente generalizar o tema “comentadores”, pois a maioria dos comentadores vem de áreas liberais e não são jornalistas.
Alguns dos comentadores, poucos, são jornalistas com carteira profissional.
Sofia Branco, não desdenhe dos “assessores de comunicação” pois os dos três grandes, e dos outros clubes também, são jornalistas de pleno direito.

Julguei-a diferente nas atitudes e nos julgamentos, para casos iguais, atitudes iguais. Para ser sectária nos seus julgamentos e intervenções, já bastou o tempo do “gnomo dos jardins”.

A justiça de funil

Não é a primeira vez, nem será a última, infelizmente.
O Conselho de Disciplina puniu José Sá, guarda-redes do FC Porto, porque o árbitro da partida Bruno Paixão (Miguel Duarte na actividade extra de vendedor imobiliário), escreveu no relatório: “No final do jogo, o jogador foi considerado expulso porque dirigiu-se ao árbitro e ao mesmo tempo que o cumprimentava disse: “Muitos parabéns pela excelente vitória que conseguiste aqui, tu e a tua equipa!”.
Expressão que o árbitro considerou ofensiva e que colocou em causa a sua honra e dignidade, conforme foi lavrado pelo árbitro no seu relatório.

A justiça tem sido igual para frases proferidas por jogadores, dirigentes ou treinadores, do mesmo teor ou semelhantes?

  • Fábio Coentrão mandou o árbitro, Fábio Veríssimo, para o car…. e não foi castigado.
  • Fábio Coentrão teve comportamento antirracista, severamente punido pelas leis da FIFA/UEFA e não foi castigado.
  • Rui Vitória insatisfeito com a actuação do árbitro (Hugo Miguel) e do VAR (Tiago Martins) afirmou no final do jogo “Vou estar atento à carreira destes dois árbitros”. Castigo zero.
  • João Capela é alvo de inquérito disciplinar por, alegadamente, ter mentido no relatório, escrevendo que Murillo, jogador do Tondela, o tinha insultado em espanhol, quando o jogador é brasileiro.

No caso do castigo a Brahimi, por alegados insultos em francês ao quarto árbitro, Tiago Antunes, não houve inquérito disciplinar ao “colegiado” de Coimbra, apesar de ele não perceber francês.

Os árbitros não escrevem no relatório as incidências acima reportadas?
Os regulamentos possibilitam a instauração de processos sumários por visionamento das imagens televisivas, quando os factos são graves e não são punidos pelos árbitros durante a partida ou não são por eles mencionados no relatório.
Não foi assim que foi punido o árbitro Jorge Sousa?

Esta é a justiça de funil do Dr. José Manuel Meirim.

Até para a semana.


Um abraço do
Bernardino Barros

PS. Ainda sobre a afirmação do José Sá, devo dizer que não merecia castigo, pois sempre ouvi da minha mãe a frase “meu filho quem fala verdade, não merece castigo”. Et pour cause…

Comentários

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1 thought on “A coluna do Pôncio – 14.03.2018

  1. “Fábio Coentrão teve comportamento antirracista, severamente punido pelas leis da FIFA/UEFA e não foi castigado.”
    Errado
    “Fábio Coentrão teve comportamento racista, severamente punido pelas leis da FIFA/UEFA e não foi castigado.

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