A coluna do Pôncio – 07.03.2018

Toupeiras, avestruzes e papagaios

Olhando para o título, o estimado leitor julga que esta crónica versa sobre alguma loja de animais ou zoo.
Não. Versa, apenas, sobre as toupeiras colocadas em várias instituições pelo “vieirismo”, versa sobre as avestruzes, dirigentes jornalistas e comentadores que preferem enterrar a cabeça na areia, a ver a evidência que lhes é posta à frente. Versa, ainda, sobre os papagaios, que vão debitando em noticiários, programas de tv, jornais e rádios, aquilo que lhes ensinaram repetitivamente, levando-os a fazer figuras ridículas, chegando, alguns, a atingir o reflexo de Pavlov, salivar quando ouvem a palavra Benfica.

Nunca, como agora, o termo toupeira esteve tão em voga.
Se, se derem ao trabalho de pesquisar no google a palavra toupeira, têm como resultado imediato, o caso E-Toupeira, relacionado com o dirigente encarnado Paulo Gonçalves.
Há dois dias o que apareceria, era artigo explicativo (ex. wikipedia), sobre o animal que “cava buracos”.

Por falar em cavar buracos, construir túneis e galerias subterrâneas, a característica principal das toupeiras, falemos do caso mais mediático, porque é o mais recente, mas podendo, todavia, esquecer o “Caso Lex”, que também envolve dois dirigentes encarnados (Luis Filipe Vieira e Fernando Tavares) e outro mais longínquo, o “Caso dos Emails”, onde o mesmo Paulo Gonçalves tinha sido constituído arguido.

Bem sei que a explicação, dada na altura por avestruzes e papagaios, era que, essa constituição de arguido, se devia à sua condição de advogado. Agora, esse argumento, já não colhe, pelo que a explicação é a estranheza que causa o seu envolvimento neste processo que levou á sua detenção, quando sabia que era arguido no caso dos emails.
O maior erro em que se cai nestas últimas horas, é que o “E-Toupeira” tem a ver com o “Caso dos Emails”.

Errado. É uma consequência do caso dos emails, mas tem a ver com a denúncia de Pedro Fonseca, coordenador de investigação criminal da PJ, que enviou à Drª Saudade Nunes, directora da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, uma denúncia recebida naquele organismo e que na óptica do agente, carecia de investigação mais aprofundada.
O crime denunciado, visava um “funcionário”, que poderia estar a “incorrer em actos susceptíveis de consubstanciar, em abstracto, os crimes de violação de segredo de justiça, violação de segredo por funcionário e de corrupção passiva para acto ilícito”.

Nessa mesma denúncia, o agente informa ainda que: “foi dado a conhecer um canal privilegiado «no Campus de Justiça» (sic), por parte de responsáveis do Sport Lisboa e Benfica (SLB) – que, apesar de instado, não foram identificados pelo denunciante – através dos quais, responsáveis daquele clube terão acedido a peças processuais do inquérito em curso na 9.ª secção do DIAP de Lisboa, conhecido como «caso dos mails» e que, por essa via, terão sido transmitidas já a uma ou mais sociedades de advogados com as quais o clube em apreço manterá uma relação contratual atinente à prestação de serviços jurídicos. Tratar-se-ia de um canal privilegiado, avençado, e cujo alcance das contrapartidas seria evidente para a investigação”.

Como vemos este relatório enviado pelo agente à directora da UNCC, e que data de 29 de Setembro de 2017, foi o que deu origem à investigação do caso E-Toupeira.
Agora, os papagaios e avestruzes, falam num “trunfo” que o clube encarnado tem para levar à audiência solicitada à PGR.
O trunfo, é a referência à “toupeira”, efectuada num post do blog sportinguista (Mister do Café) em 9 de Fevereiro de 2018, e baseada no relatório de denuncia do agente da PJ, que foi “vazado” na net pelo blog Mercado de Benfica, no dia 3 de Fevereiro de 2018.
Caso para dizer que, é um trunfo fraco (manilha), para quem tem uma mão cheia de ases, incluindo o de trunfo.

A operação e-toupeira tem, como base, o alegado esquema de passagem de informação confidencial de processos que envolvem o Benfica e os seus rivais, tendo como objetivo, descobrir as “toupeiras” que esburacavam os meandros da justiça, para ajudar o clube a ter as informações de que precisava, nomeadamente no que diz respeito ao caso dos emails. Foram realizadas 30 buscas “nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios”.

Para as avestruzes, de molde a ajudar, fica aqui a definição de probatório, para que não digam mais asneiras sobre este processo:

Probatório – Que pode ser utilizado como prova; que providencia certificado de aprovação.

Notas: Enquanto o “vieirismo” arde em fogo lento, mas forte, há quem se entretenha a fazer “manchetes” com a investigação ao Estoril-Porto (até o “portuense” (!!!) Jornal de Noticias o faz), mas esquecendo ou passando ao lado, lá vamos de novo dar às avestruzes, para as “bocas” de Carlos Pereira, presidente maritimista, que desancou em alguns jogadores, na equipa técnica e suspendeu de toda a atividade o jogador Fábio Pacheco, que assim voltou a “tropeçar” no seu percurso futebolístico.

Esperemos que neste caso também haja investigação, até porque, ainda estão na memória alguns casos de jogadores maritimistas (Igor Rossi e Márcio Rozário em 2013, ou Patrick em 2017), que podem bem ser a quem se refere Carlos Pereira quando disse “tinha alertado para não se repetirem situações passadas”, mas como ainda bem disse o presidente do Marítimo “analisar tudo, pois à mulher de César não basta ser, tem que parecer”.

Esperemos que não haja nenhum César a sentir-se “visado”, que ligue para o presidente insular.


Um abraço do
Bernardino Barros

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