A coluna do Pôncio – 07.02.2018

A Toupeira, Decibéis e aVARiações diversas

Esta está a ser uma semana fértil em acontecimentos: graves (denúncia de “toupeira” na Policia Judiciária), hilariantes (bandeira de claque inviabiliza visão do VAR), sérios (abertura da bancada Norte do Estádio onde joga o Estoril) e trágico-cómicos (Assembleia-geral do Sporting), para além do elevado nível de decibéis que afectam Pedro Proença. Vamos por partes.

A Toupeira na PJ

Ficámos a saber, no início da semana, através de mais um documento exposto na banca do blogue “Mercado de Benfica”, que o clube encarnado teve e ainda terá, uma “toupeira” infiltrada no Campus de Justiça, e que aquela “toupeira” forneceu informações sobre «peças processuais do inquérito em curso na 9ª secção do DIAP de Lisboa».
Esta informação chegou ao conhecimento da Policia Judiciária (PJ) – mais concretamente ao Coordenador de Investigação Criminal da 2ª SCICCEF (NM 33120), Pedro Fonseca. Este, a 29 Setembro de 2017, participou o caso à Directora da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, Dra. Saudade Nunes.
É claro que, face à gravidade da situação – com suposta violação de Segredo de Justiça, séria violação de dever de sigilo, por parte do funcionário e de provável corrupção passiva para acto ilícito –, foram tomadas as medidas necessárias para que a mesma fosse investigada e punida de acordo com a Lei – não restando, para mim, quaisquer dúvidas de que tenha sido esse o procedimento daquela Unidade da PJ.

Mas, pergunta-se:
Que visibilidade noticiosa teve esta denúncia? Que Comunicação Social lhe deu o eco devido?
De factos, poucos foram os órgãos de Informação que o fizeram; a saber: Correio da Manhã, Jornal de Noticias e Sábado. Todos os outros “passaram ao lado” desta importante e relevante notícia. Estou certo que apenas e só por falta de espaço, ou por esquecimento, ou porque surgiu uma notícia ainda mais relevante para os pasquins e para os seus jornalistas avençados, que estão ao serviço do clube encarnado.
Esta importante e grave denúncia é só mais uma, a juntar a tantas outras evidências, e que vem (com)provar que o “polvo encarnado” estende os seus tentáculos pelo sector da Arbitragem, pela Federação Portuguesa de Futebol, pela Liga de Clubes, pelo Parlamento, pela Justiça, por órgãos e Instituições governamentais, pela Imprensa e por demais instituições oficiais.

É claro que os cartilhados, avençados e os que viajam e/ou requisitam benesses ao clube português que anda nas bocas do Mundo, mas por casos relacionados com corrupção, não abordam o assunto, talvez com medo da retaliação desse mesmo “polvo”, preferindo, na sua generalidade, nos vários jornais, televisões e rádios, o ardil dessa autêntica fuga para a frente que é o “argumento” do «todas estas denúncias são inconclusivas, difíceis de provar e sem que se possa encontrar uma ligação causa/efeito»…

Diz-se que a avestruz enterra a cabeça na areia para que os dois olhos não vejam; mas parafraseando um carismático presidente, parece que também deixa o terceiro olho de fora…

Decibéis

Uma oportuna entrevista do actual Presidente da Liga, Pedro Proença, ao jornal ‘Record’, deu-nos a conhecer o seu pensamento sobre o VAR («35 vezes que se evitaram erros»), sobre o papel dos Directores de Comunicação («É preciso baixar os decibéis») e o regresso do Conselho dos Presidentes, a unificação dos direitos de transmissão, a celeridade da justiça desportiva face à morosidade da justiça civil e outras coisas mais.
Aqui e hoje, tratarei apenas de dois temas que considero serem os mais importantes.

«Baixar os decibéis» é uma das frases fortes, onde se junta a frase complementar, mas não menos importante «não poderei permitir este tipo de desvarios… sob pena de passarmos a ter castigos mais severos». Tudo isto ligado ao “ruído” dos Directores de Comunicação e demais presidentes que, dia-a-dia, semana após semana, origina e como diz o presidente da Liga, que «no final do dia, é a nossa indústria que sofre as consequências».

A “Indústria” a que se refere Pedro Proença é a do Futebol Profissional, que envolve e gera receitas importantes para a própria indústria, mas também para o País.
Urge, sr. Presidente da Liga, que a «baixa de decibéis» seja acompanhada, por parte do organismo que dirige, com um aumento de Eficiência e de Influência nos mais diversos parâmetros do “pontapé na bola” – por exemplo, com Regulamentos adequados e cumpridos a rigor; pedidos de responsabilidades aos organismos que ferem de Verdade a Liga Nos, com decisões mal tomadas, escamoteadas ou ignoradas; maior atenção aos adeptos da “vossa indústria”; não se congratular por decisões de casos como os do Gil Vicente ou Belenenses, ou até do caso Menad, por que teriam obrigatoriamente que passar por resolução mais ou menos imediata, e porque os tribunais já assim o tinham decidido.

«Decisões do VAR evitaram erros em 35 ocasiões» é uma das constatações de Pedro Proença e do projecto Vídeo-Árbitro; mas, a pergunta a fazer é outra: quantos erros persistiram por não haver intervenção adequada ao Protocolo, dentro de campo e na sala do VAR?
Quando se atiram números, positivos, para enaltecer um projecto, convém não esquecer de mencionar os números negativos porque estes últimos são a outra parte de uma moeda que tem… duas faces.
Se os árbitros fizessem como Manuel Mota fez, no jogo Estoril vs. Sporting – isto é: sancionar a decisão do árbitro auxiliar depois da conclusão do lance – tal permitiria que o célebre protocolo fosse escrupulosamente cumprido, sendo claro que muitos outros lances, feridos de ilegalidade, pudessem ser revertidos e, assim, aumentando os números positivos e baixando drasticamente os negativos.
Imprensa brasileira, Rui Santos e até José Manuel Freitas, reconhecem que, nesta análise da relação benefícios vs. prejuízos, a equipa mais prejudicada é… a do FC Porto – a qual teria mais onze pontos a somar aos que já detém.
Conclusão óbvia e sem quaisquer sobrancerias e/ou soberbas: a atribuição do título de campeão da Liga NOS estaria quase entregue. Mas diz que tal não pode ser, porque outros desígnios nacionais se levantam, como a «competitividade» daquela…

aVARiações diversas

Ainda na linha de actuação do VAR, há essa caricata situação de uma decisão não poder ser revertida por causa de uma câmara de televisão não ter captado o lance, devido a uma bandeira gigantesca ter obstruído a captação do lance (!!!).
As coreografias são bonitas e o apoio dos adeptos é importante; mas, é também importante que os elementos coreográficos não interfiram com o correcto visionamento do jogo e das suas fases mais importantes.

Outro aspecto importante, nesta jornada que passou, foi a abertura ao público da bancada do topo Norte, do Estádio Coimbra da Mota, actual casa do Estoril, e que, recorde-se, esteve fechada «por razões de segurança».
Sejamos claros: a Liga “de” Pedro Proença resolveu “atirar areia para os olhos” porquanto que o Eng. Emídio Fidalgo, ao sancionar a sua abertura, deu a entender que a tal questão de segurança não estava em causa, nem nunca esteve.
A bancada não albergou a claque e demais adeptos do Sporting, entretanto estrategicamente colocados numa das bancadas laterais e ao contrário do ocorrido com a claque do FC Porto e seus adeptos, que lotaram a bancada de topo com 2 500 espectadores.
A bancada do topo Norte foi, isso sim, aberta para o público em geral, que albergou cerca de cinco centenas de adeptos, apenas para tapar os olhos aos mais desatentos e dar trunfos aos amantes da ilegalidade e da trapaça desportiva.

Vergonha, Dr. Pedro Proença! Porque esta era uma das verdades por que deveria ombrear: a defesa dos clubes, dos adeptos e dos regulamentos em vigor.

Até para a semana, porque hoje há Clássico.


Um abraço do
Bernardino Barros

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