A coluna do Pôncio – 18.01.2018

O Estado sou eu

Vivemos tempos difíceis na sociedade portuguesa, com clara violação da Constituição Portuguesa, pretendendo-se atropelar o que são os mais básicos direitos, liberdades e garantias.
Nestes, estão englobados os direitos à Liberdade e à Segurança, à Integridade Física e Moral, à Propriedade Privada, à participação Política e à Liberdade de Expressão.
Independentemente da existência de leis que os protejam, aqueles direitos são sempre invocáveis, beneficiando os cidadãos de um regime constitucional específico que dificulta a sua restrição ou suspensão.

Acontece, porém, que o #EstadoLampiânico quer ser o Louis XIV do Futebol Português – monarca conhecido na História como o “Rei Sol”.
Na altura, o soberano francês autoproclamou-se de “Rei Sol” porque se igualava ao astro rei, aquele que brilha para todos e que dá vida à Humanidade. Outra das frases que celebrizaram Louis XIV foi «O Estado sou eu».
E é exactamente o que pretende fazer o outro Luís num Estado de direito – em tempos de infância apelidado de “ventoinhas”, e que também se autoproclamava, perante os seus “súbditos”, como “Marquês D’el Pique”. A saber:
¬ Decreta o “policiamento” e castigo para os funcionários de empresas (estatais ou privadas) que abram algum dos e-mails que circulam na Internet, mas que e no entendimento dos que gravitam pelo seu reino, são falsos;
¬ Faz censura na própria instituição que dirige, ao modo de regime norte-coreano, proibindo os funcionários do “reino lampiânico“ de aceder e/ou ler os e-mails, que nunca existiram, mas que com certeza foram pirateados;
¬ Atenta contra a Liberdade de Imprensa, proibindo órgãos de comunicação social de divulgar qualquer e-mail que, no entender dos do seu reino, não existem, mas foram definitivamente “roubados”.

Que muitas das instituições deste País andam a “ajoelhar” perante o magnânimo “Rei Sol”, já não há dúvidas nenhumas – a começar pelo próprio Governo, cujos elementos mais representativos (Primeiro-ministro e Ministro das Finanças) se fazem sentar ao lado de um dos maiores devedores ao Estado Português.
Outro exemplo: perante o atropelo evidente à Liberdade de Imprensa, têm a palavra a Entidade Reguladora da Comunicação, o Sindicato dos Jornalistas e demais instituições defensoras dessa mesma liberdade na Comunicação Social.
Vamos ter que esperar sentados ou vai haver mesmo reacção?
Se não houver, saberemos que, afinal, o magnífico “Rei Sol“ sempre tem razão para clamar aos sete ventos: “O Estado sou eu!”.
Até agora, os factos provam que é mesmo…

Ainda o Estoril…

O que se passou no Estoril está mais do que documentado, falado e a ser tratado nas instâncias próprias, para se apurar o que tiver que ser apurado e responsabilizar quem comprovadamente tiver culpas no cartório.

Se houver lugar a recorrer ao já celebrizado artigo 94, que o seja, pois os Regulamentos em vigor e aprovados por todos os clubes assim o determinam.
O que não admito é que uns “parvinhos” andem por aí a chorar baba e ranho, clamando contra um clube que, alicerçado nos mesmos regulamentos, pode vir a ganhar pontos “na secretaria“.
«Inconcebível!», «inimaginável!», foi o que “vomitaram” muitos dos arautos da Verdade Desportiva e que vêm no recurso “à secretaria“ uma espécie de “belzebu” do oportunismo.
Só que a memória curta e (o que é pior) a hipocrisia da maioria dessa trupe, faz com que se esqueçam de episódios bem recentes, onde os seus clubes – pelo menos os que agora defendem pois, Amanhã, não se sabe -, já beneficiaram ou queriam beneficiar dos “golpes de secretaria”.

Por exemplo, em Fevereiro de 2014, o Sporting queria o FC Porto fora das meias-finais da Taça da Liga, por entrada tardia da equipa do FC Porto (três minutos) no reatamento do último jogo do grupo. Ou seja, o Sporting, que não ganhou em campo, queria ganhar… “na Secretaria“. Claro que, na altura, era a bem da transparência no Futebol Português; agora os Regulamentos são mais “opacos”. Incoerência servida na medida certa…

Já do outro lado da Segunda Circular, esquecem-se da campanha vergonhosa que montaram, no ano de 2008, em conluio com os amigos de ABola, para impedir o FC Porto de ir à Liga dos Campeões.
Agora é «oportunismo do FC Porto»; na altura, em que ficaram em quarto lugar, a vinte e três pontos do campeão em título, quiseram stilizarar os Regulamentos de forma sábia para conquistarem, “na secretaria“, o que não conseguiram em campo. Novamente incoerência servida na medida certa.

Muitos mais e variados exemplos poderiam aqui ser mencionados, mas não vale a pena, porque são sobejamente conhecidos
Lembremo-nos apenas que mesmo as “cobras cuspideiras” mais venenosas podem morrer do próprio veneno.

Fidalguias da Liga

Já por diversas vezes mencionei as hipocrisias em que a Liga de Clubes está mergulhada, por exemplo com o “Caso da purga nos delegados“ – tema a que brevemente darei nova atenção, pois os “glóbulos vermelhos” continuam a proliferar.

Serve agora para regressar a um assunto que mais agudizado ficou com as cenas do jogo do Estoril.
A Liga tinha (e julgo que ainda se chama assim) uma Comissão Técnica com a incumbência de vistoriar e de obrigar a que os Regulamento da Liga fossem cumpridos. O responsável dessa comissão era e ainda o é, o tão (tristemente célebre) Eng. Emídio Fidalgo.
{Tristemente célebre porque, em Setembro de 2013, as “duas palmadinhas no rabo”, por parte de Raul José (eterno treinador-adjunto de Jorge Jesus), no denominado “Caso de Guimarães”, foram celebrizadas para a posteridade e quando exercia cumulativamente a função de responsável dos delegados.}

O sr. Fidalgo é bem conhecido nos meandros dos clubes pelas “rápidas vistorias“ que executa – algumas delas sem estar presente, pedindo a outros delegados para as fazerem por si.
Os incidentes do Estoril vieram revelar, para além da “vistoria“ por parte da Comissão Técnica da Liga assentar em bases pouco sólidas, que mais duas ilegalidades foram praticadas, tal como noutros estádios do País. Explica-se.
A Lei que a Liga homologou obriga a que os clubes dotem os seus estádios de torniquetes e de câmaras de CCTV (circuito interno de vídeo-vigilância); na Amoreira não existem.
Os torniquetes servem para que os bilhetes, emanados para os jogos da Liga, sejam lidos de forma óptica (todos os bilhetes são munidos de código de barras), contabilizando também e para os serviços da Liga, o numero de adeptos presentes em cada jogo.
As câmaras de CCTV servem para monitorizar todo e qualquer incidente que venha a acontecer nos recintos desportivos.

Pergunta-se:
¬ A bancada da polémica tinha torniquetes?
A resposta é “Não!“; por isso mesmo é que os bilhetes foram rasgados à mão, num dos cantos, ou nem sequer foram rasgados- num claro incumprimento do Regulamento que a Liga fez aprovar pelos clubes.
¬ Onde é que estavam as câmaras de CCTV? Também não havia…
¬ Atenção que há mais, mas que vistoria é que foi feita pela comissão de que o Eng Fidalgo é responsável, e que deixa passar, nesse estádio, a ausência de dois items obrigatórios em todos os recintos desportivos?

Outro dos factores onde há desrespeito para com os adeptos do futebol, prende-se com as condições de entrada nos recintos onde, para além da ausência de torniquetes e de câmaras de CCTV, se constata a pouca presença de ‘stewards’. Esta situação origina que, 20 a 25 minutos depois do apito de incío do jogo e com este a decorrer, ainda se verifiquem filas enormes de adeptos que (des)esperam por entrar no estádio.
Foi assim em Moreira de Cónegos e também foi assim na Amoreira.
Porquê?
Os adeptos são o parente pobre para a Liga de Clubes?
Os dinheiros da TV e das multas sustentam o orçamento da Liga, para que desprezem a presença de adeptos nos campos de futebol?

Dr. Pedro Proença, faça um favor ao Futebol Português e coloque ordem “na caserna“.


Um abraço do
Bernardino Barros

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