A coluna do Pôncio – 22.11.2017

Esconder o Sol…

Depois do monólogo televisivo do responsável pelas redes sociais do clube encarnado, na passada Segunda-feira, o comentário que mais ouvi e que também li, nas redes sociais e não só, foi: “a montanha pariu um rato”.
Não pariu nada. Já estava parido, e mal. Andava escondido, com medo e em pânico:
Escondido nas entranhas de uma Comunicação Social serviçal, bolorenta e comprometida com o #EstadoLampiânico, que foi fazendo tábua-rasa das revelações divulgadas no Porto Canal, desde Junho deste ano, alicerçadas em dados e factos concretos, mas que, de imediato, logo deu eco e em primeira página, das invenções do programa sem chama nem labareda;
Medo das consequências que podem e que dali devem advir, face à gravidade das denúncias feitas e da comprovação, através de factos, de demissões e de demais confissões, que nos últimos tempos têm surgido.
Pânico, não do que está para ser revelado – porque isso eles sabem bem o que escreveram, enviaram e receberam –, mas principalmente do que poderá surgir no plano desportivo.

Hoje, jogam a permanência (e a sobrevivência financeira) nas competições europeias e o caminho não é fácil, bem pelo contrário, pois muito dificilmente uma equipa com zero pontos (e com apenas um golo marcado e já dez sofridos…), ao fim de quatro jornadas, se consegue apurar.
Dentro de dias, a continuidade efectiva da luta pelo título pode levar machadada forte – não só porque a 1 de Dezembro visitam o “santuário”, mas porque, em caso de derrota, a margem pontual para o líder pode ser difícil de ultrapassar.
Assim, como justificar à sua legião de adeptos – diz que serão seis milhões e pela boca do seu treinador que, em Fevereiro deste ano, afirmou «uma mensagem saída da minha boca não agradará a seis milhões de pessoas, mas influenciará alguém» – mas, dizia, como justificar à sua prole o colapso competitivo em duas provas primordiais, como são as competições europeias e o campeonato nacional?
Por isso e para isso mesmo, o programa que apresentaram esta semana, mais não foi do que uma tentativa desesperada, mal-amanhada e engendrada, para desviar atenções do Essencial: o benfica está mergulhado numa teia de corrupção ativa e passiva e num tráfico de influências sem paralelo no Futebol Português, e passa por uma crise futebolística bem evidente.

O programa delirante


Delirante porque foi mesmo de rir até às lágrimas.
Delirante porque só mesmo com delírios febris se queria transformar suposições e invenções, em factos. Reza a lenda que foi milagre a transformação do pão em rosas, mas não havia milagre possível que pudesse transformar suposições, mentiras e artimanhas, em factos…
O responsável encarnado pelas redes sociais bem tentava repetir amiudadas vezes «são factos senhores, são factos» numa frustrada tentativa de imitar o “são rosas senhor, são rosas”. Mas o seu “dom” para os milagres é igual ao que teve para o “monólogo” que proporcionou: z-e-r-o (ou «bola!», se preferirem).

Narrar ou comentar em televisão é bem diferente de ser o responsável por dar voz a uma estratégia mal montada e elucidativa do desespero encarnado; prestando-se a esse papel, saiu chamuscado – ainda para mais estando rodeado de um companheiro de painel que, como árbitro, tinha (e tem!) muito pouca credibilidade no sector da arbitragem.
Para já, o que conseguiram com aquele programa delirante foi serem alvo de chacota geral, das críticas dos seus próprios adeptos e de (para já) três processos em tribunal civil, a que acrescem os dois processos disciplinares instaurados pelo Conselho de Disciplina da FPF.
Caso para dizer com sotaque bem portuense:
“Bê Têbê mas não leves a sério”

O cartão vermelho à Arbitragem


A notícia da semana é a “greve encapotada” no sector da Arbitragem, manifestando indisponibilidade para exercer a sua função este fim-de-semana.
A contestação vem subindo de tom, semana após semana, em proporção com os erros que se vêm acumulando, também semana atrás de semana, na arbitragem e na análise dos vídeo-árbitros.
Não estando satisfeitos com o rumo que têm tomado as críticas generalizadas à sua (fraca) prestação fim-de-semana sim, fim-de-semana também, alegam «falta de condições psicológicas». De facto, não podendo ir para a greve, porque não havia espaço temporal para a solicitar, optou o mundo da arbitragem por “pedir dispensa” das suas funções, sendo que a resolução do problema cabe aos órgãos de classe – APAF, Conselho de Arbitragem e ao próprio presidente da FPF.
E é aqui que “a porca torce o rabo”: para que este pedido seja deferido é condição que este seja realizado «vinte dias» antes da dispensa pretendida, mas sempre o podem fazer alegando «facto imprevisto e de força maior»…
«Imprevisto»?! Dizem-se «cansados das suspeições e dos ataques que têm sofrido»… Representa isso «facto imprevisto»?! Não deve ser por aí que a dispensa terá lugar, pois a contestação vem desde o inicio da época.
«Força maior»?!! Que melhor razão para invocar «força maior» quando oito “colegas” foram visados no célebre email de Adão Mendes para Pedro Guerra?!
Desses oito, três desceram, por limite de idade um acabou a actividade, e outros quatro estão ainda em funções.
Onde esteve a «força maior da classe» para lutar pelo bom nome dos árbitros visados?! Onde esteve a APAF? Onde esteve o responsável pela Comissão de Arbitragem? Esqueceram que os seus filiados precisavam de apoio e defesa?

E que fizeram os quatro visados, ainda em actividade, para defender o seu bom nome? Accionaram judicialmente o dirigente da Comissão de Arbitragem da Associação de Futebol de Braga? Por que não fizeram o mesmo que os seus colegas Luís Ferreira e Vítor Ferreira, fazendo queixa ao Ministério Público e ao Conselho de Disciplina da FPF?

Diz o Povo que “Quem não deve não teme”; e embora seja de louvar esta “visível” união da classe, a “invisível” vem dando mostras de suspeitas e de olhares de soslaio entre os colegas. Verdade que ainda não andaram botas pelo ar, mas o clima anda algo “cinzento”.
Razão para sorrir tem o vice-presidente da Comissão de Arbitragem, João Ferreira, pois se, em 2011, o deixaram sozinho naquela reivindicação em que solicitou dispensa de um Beira Mar vs. Sporting pelo clima de contestação que se vivia na altura, agora vê com agrado a “união” da classe arbitral. Do mal o menos…


Um abraço do
Bernardino Barros

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