A vergonha do IPDJ

  1. 12 de Abril de 2017 – Cântico Chapacoense (FC Porto, Dragão Caixa)
  2. 15 de Abril de 2017 – Simulação som do very-light (Benfica, Pav.Luz)
  3. 17 de Abril de 2017 – Cântico de celebração da morte do adepto do Sporting com um very-light (Benfica, Pavilhão da Luz)
  4. 22 de Abril de 2017 – Homicídio de adepto do Sporting (Benfica, Estádio da Luz, Lisboa)
  5. 23 de Abril de 2017 – Cântico de celebração da morte do adepto do Sporting com um very-light (Benfica, Estádio de Alvalade, Lisboa)

Cinco eventos. Só um foi analisado pelo IPDJ e severamente punido, com a maior pena aplicada por organismos desportivos, desde sempre, em Portugal. Aliás neste capítulo o FC Porto, serviu mais uma vez de cobaia, facto recorrente na disciplina desportiva em Portugal:

  • 1957 – Virgílio Mendes, o Leão de Génova, num jogo frente ao Benfica, lesionou com gravidade Caiado. Mesmo que o lance tenha sido involuntário, numa medida original, Virgílio só regressou quando Caiado, já recuperado, regressou.
  • 1994 – Foi o FC Porto a ver penhorada uma retrete do Estádio das Antas por dívidas ao fisco, quando muitos clubes tinham dívidas e alguns muito maiores que o FC Porto.
  • 1998 – Paulinho Santos envolveu-se com João Vieira Pinto, a quem, alegadamente, teria fracturado o maxilar, pese embora em lances anteriores a RTP ter mostrado por várias vezes o jogador encarnado a levar a mão à face, fruto de uma queda onde embateu com a cara no relvado. O jogador do FC Porto foi acusado de partir o maxilar ao João e ficou suspenso até o jogador encarnado regressar aos relvados.
  • 2004 – Época dos tão famosos sumaríssimos, em que só Benni McCarthy cumpriu nove, ouviram bem, nove jogos de castigo depois do recurso às imagens televisivas.
  • 2009 – Lisandro López, acusado logo no dia seguinte a um F.C.Porto – Benfica, de ter simulado um penalti, sendo punido com um jogo de suspensão por simulação, em mais uma originalidade em que o FC Porto foi a primeira vítima. O mais engraçado, que não tem mesmo nenhuma, é que o benfiquista Pablo Aimar, poucas jornadas depois, foi multado em 750 euros por ter simulado um penalti no jogo com o Nacional, quando o marcador registava 2-1.

Mas a violência das claques não legalizadas do Benfica, que ainda gozam com a situação entoando cânticos a referir a ilegalidade, não ficam por aqui:

  • 26 Agosto 2017 – Estádio dos Arcos (Vila do Conde) violência gratuita para com adeptos do Rio Ave. A Liga de clubes abriu inquérito aos factos ocorridos dentro e fora do recinto desportivo. PSP ou GNR tomaram conta da ocorrência.
  • 22 Outubro 2017 – Estádio do Clube Desportivo das Aves – adeptos encarnados entraram no bar do Estádio do Aves e ‘varreram tudo’, provocando desacatos. Policia de Intervenção foi chamada. Liga deve levantar mais um inquérito.
  • 4 Novembro 2017 – Braga, 9ª jornada do campeonato nacional de Futsal, vários adeptos do Benfica exibiram tochas e atiraram cadeiras pelo ar, obrigando o árbitro a interromper a partida para que a polícia se pudesse deslocar às bancadas para acalmar os adeptos. Aqui é a Federação que tem interferência, espera-se, pois, punição.
  • 5 de Novembro 2017 – Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães) desacatos nas bancadas com os adeptos vitorianos a terem que fugir para dentro do relvado. PSP tomou conta das ocorrências. Liga deve levantar mais um inquérito.

Vamos lá falar claro, para ver se nos entendemos.

O sr. Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, um beirão de Viseu encarniçadamente benfiquista, apelou anteontem ao “bom senso e contenção” para travar o clima de violência no futebol português, “particularmente dos dirigentes”.
Dr. João Paulo, desculpe a ousadia, mas alinha na falácia dos deputados portugueses, que estão preocupados com a violência verbal dos dirigentes, solicitando a presença do presidente da Federação numa Comissão de Inquérito, mas olvidam as mortes e violência que duas claques ilegais vão perpetrando pelo país?
Ainda segundo o sr. secretário de estado, “O IPDJ é simplesmente a entidade em Portugal a quem cabe aplicar sanções no quadro legal, na sequência de autos levantados pelas forças de segurança.”

Portanto, foi a PSP que levantou o auto, pelo cântico do Chapecoense, certo?
A mesma PSP, que ao que sabemos todos, mas mesmo todos, já levantou diversos autos pelo apoio ilegal do Benfica às suas claques organizadas ou desorganizadas. As transcrições são públicas, e as punições ou os inquéritos onde estão? Pode-nos dar informação sobre o andamento dos mesmos?
Estarão no fundo da gaveta do Sr. Cavaco ou outro barrote qualquer, à espera de cair no esquecimento?
Sobre as acusações de que Vítor Pataco, vice-presidente do IPDJ e ex-director de marketing do Benfica, teria ‘guardado na gaveta’ um despacho que pedia a punição do Benfica por apoio a claques ilegais,
Augusto Baganha, presidente do IPDJ, preferiu não comentar, até porque e passo a citar “internamente está a decorrer um processo de inquérito”.
Esta afirmação foi proferida em 5 de Maio de 2017.
Ainda está em sede de inquérito?
Quando se conclui?
Quando houver outra morte nos estádios portugueses?
O inquérito tem em linha de conta que a nomeação do vice-presidente Vítor Pataco foi ilegal, não sendo submetida a concurso público?
Meus senhores, estamos a falar de um organismo público, tutelado pelo Governo de Portugal, que se senta nos camarotes e come à mesa com os principais responsáveis destas ocorrências.
Estão à espera de quê para aplicar a legislação existente?
Que haja outra morte nos estádios portugueses?

A impunidade para com as claques ilegais, violentas e assassinas do clube encarnado, é total neste país que só reage às adversidades, quando devia agir.
Assembleia da República, Governo, Secretário de Estado, IPDJ, Federação, Liga de Clubes, não podem lavar as mãos como Pilatos e ficar a assistir aos constantes actos de violência gratuita de claques.
Estas claques são ilegais, mas beneficiam do apoio explícito e implícito do clube, com cedência de instalações, com pagamento de aluguer de carrinhas para transporte dos seus elementos, com cedência de bilhetes para zona reservada no estádio, com a emissão de comunicados a solicitar contenção no uso de tochas e petardos nos jogos da UEFA, com medo de punição, marimbando-se para o que eles fazem em solo português
Federação e Liga de Clubes não podem continuar, até porque são os seus delegados que assistem ao abrir de portas mais cedo, para as claques colocarem as tarjas de apoio, num claro regime de excepção em relação aos comuns adeptos, que só entram no estádio duas horas antes do início dos jogos.
Conivência?
Conluio?
Para que servem os apelos de Fernando Gomes e Pedro Proença à pacificação e bom senso no futebol português.
Porque fazem tábua rasa dos regulamentos que estão em vigor na federação e na Liga, que punem estes actos violentos.
Pilatos lavou as mãos, mas lavou-as bem, todas estas entidades correm o risco de as deixar ainda manchadas de sangue, se nova tragédia acontecer.
Dia 1 de Dezembro há jogo grande no Dragão, FC Porto e Benfica vão enfrentar-se dentro de campo, não deixem que ocorra qualquer acto premeditado, que pode ter algo de casual também, fora do recinto.

Meus senhores, vou terminar com mais um apelo:

“cada macaco no seu galho”

Texto gentilmente cedido por Bernardino Barros

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