A coluna do Pôncio – 08.11.2017

Transferências, Oportunismo e San Iker

«Quem não tem vergonha não tem consciência»

Thomas Fuller

O tema das transferências é “pasto fértil” para a imprensa avençada, que olvida o que ao clube do regime diz respeito, mas saliva quando o nome do FC Porto está envolvido.
Ontem, os cabeçalhos dos sites online, programas televisivos e noticiários desportivos radiofónicos, serviram para “encher a boca” com a investigação que a PJ levou a cabo na SAD do FC Porto, sobre a transferência de Lucho Gonzalez, do Marselha para o FC Porto.
A imprensa gaulesa fala em caos contabilístico do Marselha, num processo de uma lista de 18 jogadores negociados, na presidência de Jean Claude Dassier, em que está “El Comandante”.
Os avençados e vendilhões do templo procuraram, vão continuar a procurar, entreter o “povão” com este episódio, para desviar atenções do que os afecta, a investigação sobre corrupção activa e passiva que o clube da luz tem às suas costas.
Vale, ainda, que a memória selectiva funciona e bem, pois no mundo de hoje a busca está ao alcance de um clique. Feito esse clique, descobre-se que o clube encarnado está cheio de buscas da PJ ou instâncias financeiras, de molde a apurar transferências suspeitas de e para o clube benfiquista. Vejamos:

Em 2006, investigou-se o caso de Miccoli
Em 2010, na berlinda estiveram Luisão e Ramires
Em 2011, foi a vez de Júlio César (guarda-redes ex-Belenenses) e Roberto
Em 2013, recaiu a investigação em Filip Markovic (irmão de Lazar)
Em 2016, a mais rebuscada e intrigante, de Francisco Vera Gonzalez.

«Todo o mundo é oportunista, mas nem todos sabem sê-lo com oportunidade»

Maurice Chapelan

Oportunistas

Chegamos agora ao tema dos oportunistas, e acreditem que são muitos. Denominador comum de todos eles, foram da oposição e juntaram-se ao regime do “primeiro-ministro”. Onde anteriormente havia oposição pura e dura, agora há subserviência e bajulice ao “grande líder”.
Essa é uma das características do “primeiro-ministro” lampião, chamar ao seu seio quem mal dele diz(ia), usando uma velha máxima, com uma ligeira nuance: “se os não podes vencer, junta-os a ti”.
Vários são os exemplos, José Eduardo Moniz e Fernando Tavares estão na Direcção, José Manuel Antunes e Jaime Antunes peroram na Benfica TV, porque há sempre um testo adequado para tapar o tacho.

Varandas Fernandes queixava-se ontem que: “Há um ataque odioso e provocador ao Benfica.” Quem é Varandas Fernandes? Que percurso teve até chegar a vice-presidente?

Recuemos ao ano de 2009, com o Benfica mergulhado numa crise financeira (ainda não recuperou, mas um dia destes lá iremos) e desportiva (o FC Porto estava quase a conquistar o seu segundo tetra campeonato), falava-se em eleições antecipadas para as bandas da Luz.
Uma das listas formadas para contrariar a presidência de Luís Filipe Vieira, foi denominada de “Benfica, Vencer, Vencer”, liderada por Rui Rangel e Varandas Fernandes. O principal objectivo, nas palavras do próprio Varandas Fernandes era o de “alertar os sócios para a defesa dos superiores interesses do Benfica e contramanobras eleitorais”.
As eleições foram mesmo antecipadas (de Outubro para Março 2009) e a lista formada por Varandas Fernandes, Rui Rangel e José Veiga não se apresentou a sufrágio, acusando Luís Filipe Vieira de “ser o único responsável por o Benfica estar a viver um dos momentos mais tristes e negros da sua história.”
Três anos depois, 12 Outubro 2012, o discurso mudava. Varandas Fernandes apoiou a recandidatura de Luís Filipe Vieira e ganhou com isso um tacho na Direcção encarnada.
Um blog, afecto às cores encarnadas, contava a história do putativo vice-presidente e terminava com esta pérola:
“Dá-se um prémio a quem acertar no “tacho” que foi oferecido ao Sr. Rins de Aço”.

San Iker Casillas

Não. Não vou falar da suplência do guarda-redes espanhol. Não vou dizer que há hipocrisia quando se fala desse facto, esquecendo-se a condição de Júlio César, que no último jogo passou de segunda a terceira opção.
Disso se encarregará a imprensa especializada, que nunca passa ao lado destes factos, gastando nas próximas semanas rios de tinta para explicar o problema do “imperador”.

Casillas tem aqui lugar de destaque nesta coluna, porque foi, muito justamente, galardoado no dia de ontem (7 Novembro 2017) com o prémio “Golden Foot”, atribuído anualmente a jogadores, com mais de 29 anos, que se tenham destacado ao longo da carreira pelos feitos desportivos individuais e coletivos. San Iker sucedeu ao seu grande amigo, outro mítico guarda-redes, Gianluigi Buffon, superiorizando-se a nove outros candidatos de craveira: Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Manuel Neuer, Luis Suárez, Andrea Pirlo, Sergio Ramos, Arjen Robben, Yaya Touré e Thiago Silva.

Iker Casillas só conheceu dois clubes na sua longa carreira (27 anos), o Real Madrid, onde chegou com tenra idade e se manteve 25 anos (1990-2015) e o FC Porto onde actua há duas épocas.
Falar do seu percurso futebolístico, do seu palmarés e dos títulos individuais conquistados, seriam necessários “gigas” de caracteres e como o espaço é pequeno, nem por email, fica aqui o link onde pode ser consultada a sua história de conquista de títulos.
Iker Casillas Fernández, o “menino” que nasceu há 36 anos em Móstoles, confessou que os dois jogadores que mais o marcaram na sua carreira foram Zidane, actual treinador do seu Real, e Andrés Iniesta, o rival mas sempre amigo do FC Barcelona.
San Iker, como o apelidam os espanhóis, não precisa de ser santo para adivinhar que a sua carreira está a chegar ao final. Nós também, mas queremos, que junte ao seu longo palmarés o de campeão nacional pelo FC Porto.


Um abraço do
Bernardino Barros

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