(VAR)iedade de Câmaras e uma entrada à Eliseu

Fiquem os nossos caros leitores descansados que não precisam de protectores oculares. O título pode induzir em erro, mas não há violência implícita, já que ele é inócuo e inofensivo, tal como foi a entrada de Eliseu no sábio julgamento do “padre” Vasco Santos.

VARiedade de Câmaras

Esta época foi implementada, com alguma pompa e muita circunstância, o Vídeo-Árbitro, com bastas opiniões díspares, a favor e contra, no anúncio da nova “arma” ao serviço da Verdade no Futebol.
“Vem adulterar a Essência do futebol”.
“Não vem resolver nada”.
“É um salto qualitativo na procura da Verdade Desportiva”.
Estas, algumas das opiniões emanadas, pode dizer-se que variaram entre o regozijo, a negação e o cepticismo. Para que tudo fosse transparente, saiu legislação a preceito, que visa tornar tudo claro e igual para todos surgindo, no Regulamento de Competições da Liga, o Anexo X com o título “Plano de Câmaras mínimo para efeitos de implementação do vídeo-árbitro nas competições profissionais da Liga”.
Foi decidido recomendar um mínimo de câmaras a usar em cada jogo considerando «o principio de igualdade de meios que é exigido ao funcionamento do Vídeo-Árbitro para garantir os princípios da Ética, Justiça, Lealdade e Verdade Desportiva».
Assim: «A LPFP e os seus associados consideram que deve haver um número mínimo de câmaras (…)», que ficou definido em 10 (dez), bem como a sua colocação como se pode ver no diagrama abaixo reproduzido:

A sua colocação ficou definida assim:
Câmara 1 – Master ângulo aberto
Câmara 2 – Master ângulo fechado
Câmara 3 – Fixa para ângulos no terreno de jogo
Câmaras 4 e 5 – Câmaras de fora de jogo
Câmaras 6 e 7 – Câmaras de baliza
Câmara 8 – Câmara de ângulo inverso
Câmara 9 e 10 – Steadicams

Depois de legislado e aprovado pelos associados (clubes), esperava-se que o Regulamento fosse devidamente cumprido. Mas não está a ser. Nem nas posições recomendadas, nem no número de câmaras utilizadas.
No jogo Benfica-Braga, da 1a jornada, nota-se a falta da Câmara 8 (ângulo inverso) que, a existir, permitiria analisar a posição de Seferovic no lance em que foi assinalado fora de jogo a Ricardo Horta.
Nos jogos da 4ª Jornada, entre o Moreirense-Tondela e Boavista-Desportivo das Aves, pelo menos nestes há certeza: o número de câmaras desceu do mínimo recomendado (10), para um número ainda mais mínimo (5).
Se no estádio do Moreirense ainda se pode compreender a violação ao Regulamento de Competições, face ás dimensões do recinto de Moreira de Cónegos, não há compreensão possível para as míseras cinco câmaras no Estádio do Bessa – um dos estádios do Euro2004, logo com todas as condições para usar as 10 (dez) câmaras (ou mais).
Qual a razão do incumprimento do Regulamento de Competições? Será a falta de verbas da Liga para pagar aos operadores de TV, esquecendo os requisitos mínimos?
Com esta violação das regras, estão a ser garantidos os «princípios da Ética, Justiça, Lealdade e Verdade Desportiva»?
Tem a palavra Pedro Proença e demais directores da Liga Portugal. Expliquem por favor.

Entrada à Eliseu

Na 3º Jornada da Liga Nos, Eliseu teve uma entrada agressiva sobre Diogo Viana, no jogo Benfica-Belenenses.
O lance, apesar da sua brutalidade, passou sem punição por parte do árbitro Rui Costa mas, pasme-se!, também passou incólume à “visão” do VAR Vasco Santos.
Queixa feita pelo Sporting, processo sumário levantado e, na Terça-feira, foi julgado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol. Resultado: arquive-se.
Não vamos discutir aqui a justeza do processo sumário. Também não interessa saber o porquê de o CD não julgar o processo na primeira reunião que teve a 22 de Agosto – sabendo-se que o jogo se realizou dois dias antes, a 20 de Agosto, no Estádio da Luz.

Nem na segunda reunião, a 24 de Agosto:

remetendo a decisão para o dia 29 de Agosto.
Ou seja: este processo sumário foi decidido nove dias após a sua ocorrência.
Compare-se apenas a celeridade na decisão do “caso Jorge de Sousa”, que apitou o célebre jogo Real-Sporting B, no dia 20 Agosto, saindo o castigo de 3 jogos para o juiz portuense a 22 de Agosto: dois dias apenas para decidir.

Aqui e agora, só queremos demonstrar a atitude do VAR, Vasco Santos que, mesmo com a hipótese de usar a tecnologia, não vislumbrou agressão ou conduta violenta no lance, escrevendo esta pérola, na sua resposta escrita, ao inquérito do CD: «Após ter visto o referido lance, através de diversas imagens que me foram disponibilizadas, entendi no momento não ter existido qualquer agressão ou prática de jogo violento por parte do jogador do Benfica naquela sua ação».

Contraria tudo e todos, e só ele, Vasco Santos, é que está certo, pelos vistos.
Contraria a Comissão de Instrutores da Liga, que considerou haver matéria para punição

http://www.dn.pt/desporto/benfica/interior/comissao-de-instrutores-porpoe-castigo-a-eliseu-8723618.html

Contraria a opinião do próprio Conselho de Arbitragem

http://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/noticias/interior/conselho-de-arbitragem-assume-que-eliseu-devia-ter-sido-expulso-8719466.html

É para não falar da opinião generalizada dos especialistas em arbitragem, onde a unanimidade na análise do lance foi inequívoca: erro do árbitro e sem desculpa a não intervenção do VAR.

Caso para dizer que não houve “olho de falcão”, mas existiu “olho de águia”.

Atentos a tudo e a todos na prossecução da nossa Batalha.
por Acácio Mesquita

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1 thought on “(VAR)iedade de Câmaras e uma entrada à Eliseu

  1. Atenção ao Jornal das 8 da BTVI no dia de ontem, 3ª feira, 29 de Agosto.
    A propósito da estadia de uma cantora famosa na cidade de Lisboa, a BTVI consegue enfiar-nos um vídeo de propaganda do Nacional-Benfiquismo, de larga duração, ao melhor estilo da Coreia do Norte, tipo lavagem cerebral.
    Para quando uma proibição de entrada da BTVI, e muitos outros, nas instalações do FC Porto?

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